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Com grande honra participei como palestrante da segunda edição da BJW de forma online, transpondo as barreiras do distanciamento, e nessa edição ainda mais especial por trazer também artistas de toda a américa latina, deixando o evento ainda mais rico. Com prazer pude dividir um pouco de minha história e trajetória, além de compartilhar também algumas ideias e pensamentos em relação à arte, joalheria e empreendedorismo como artista joalheira.
Desde sempre me expresso através da arte, e ela sempre surgiu de diferentes formas em minha vida, resultado de um processo infinito de autoconhecimento. Há onze anos uso a joalheria para me expressar da forma mais genuína possível. Nesse período pude conhecer mais de mim, da arte como um todo e como minha expressão através dela atinge as pessoas. Sou publicitária por formação, trabalhei na área durante muito tempo até sentir a segurança necessária para largar a profissão e me dedicar totalmente a joalheria. É necessário entender que pode parecer muito bonito fazer a arte pela arte, mas a grande realidade é que somente com o equilíbrio de todos os pilares (financeiro, emocional, artístico) senti que poderia ser realizada fazendo o que eu amo, porque no final do dia não adianta fazer arte e não ter como cobrir necessidades básicas. Eu só larguei minha estabilidade na profissão porque percebi que era possível, e fazer da arte minha fonte de renda levou algum tempo.

 

Trabalho autoral requer conhecimento de si mesmo. É, antes de mais nada, um desenvolvimento. Já fui a pessoa que criou peças comerciais, afinal, precisava vender. Esse passo foi extremamente importante no meu processo, pois foi assim que percebi que precisava de uma marca, uma assinatura e um diferencial. Foi a partir de uma cópia do meu trabalho que eu fui obrigada a me reinventar como artista, colocando para fora o que sou, e não o que esperam de mim. Foi buscando minha identidade que passei a olhar para materiais do cotidiano de forma diferente, e onde me permiti ver além e transformar qualquer elemento em joia. Estava aí o meu diferencial como artista. O público demorou para digerir meu trabalho, e foi assim que aprendi a necessidade de comunicar minhas ideias e conceitos através de histórias. Eu não crio pensando em alguém, minhas peças surgem a partir de quem eu sou no momento, da minha verdade e visão de mundo. É claro que o público é importante, mas quando entrego uma criação genuinamente minha, carregada de história, entrego o diferencial da minha marca. É meu trabalho comunicar para esse público minhas inspirações, ensinar meu olhar e como é possível enxergar todas as coisas de um ponto de vista diferente, para além do senso comum, o que faz com que a obra seja infinitamente mais valiosa, pois possui alma e é única.
Isso tudo não significa que eu não me interesse pelo meu público. Pelo contrário, quando me surgiu a oportunidade de ter uma loja, minha primeira decisão foi buscar e conhecer quem consome minhas joias e porquê. Acabei descobrindo através de um estudo de branding que as pessoas não usam minhas obras com a finalidade de exibir status ou sentirem-se pertencentes a uma determinada camada social, mas sim como forma de expressão pessoal, pois o ouro não é único o suficiente. 

por MARIAH ROVERY

Ressignificar

É com o DNA fortíssimo impresso em minhas peças, seja por técnica ou estética, que muitos reforçam suas identidades e contam suas histórias. Essas pessoas já compreendem bem que a joia se faz através de um trabalho de desenvolvimento e processos, e não apenas por um material visto como raro ou caro. Com isso, entendi que estou comunicando meu trabalho da forma certa, e ele está sendo absorvido da forma esperada, que somente com uma boa comunicação com o público é possível. Hoje as pessoas já esperam que eu apareça contando sobre a história de cada nova família de joias.
Para construir uma marca transformadora para quem a consome (e consumir vai além de comprar as joias. Inclui também se inspirar, acompanhar de alguma forma) é necessário passar para o púbico a riqueza que a história por trás da obra possui. Isso é o que torna a experiência completa. Faço isso desde o começo, usando minha imagem para disseminar meu trabalho. Acho que a arte precisa sair desse lugar inacessível e utópico, e chegar o mais longe possível, inspirando e ensinando. Eu sou a persona da minha marca, e me esforço diariamente para aparecer e tornar minha empresa mais forte. A internet foi de grande importância para meu negócio, pois ela é a forma mais fácil de atingir o maior número de pessoas com baixo investimento. Sou muito grata a essa ferramenta, e não acho que sou menos artista por usá-la como suporte. Encontrar um caminho que faz sentido para o seu negócio girar, claro que respeitando os seus limites, é a chave para encontrar equilíbrio entre fazer arte e empreender dentro desse mercado.

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IDEALIZAÇÃO: CHRISSIE BARBAN & JOSETTE BARBAN