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por lucca YALLOUZ

Na vida o tempo é rei e mestre de todas as coisas. Sentado no chão, em minha banca, me observo. Sentado sigo me observando. Soldando sigo me observando. Limando sigo, martelando sigo. Sigo...

Muitos dias já passei em retiros meditando sobre a natureza da vida, e consequentemente, da morte. Construí minha vida com base em uma quarentena voluntária, de modo que pudesse me dedicar ao estudo da vida, ao estudo do tempo, onde o fazer das tarefas fosse parte integrante de um todo. Do trabalho na terra aos devaneios na rede. Dos trabalhos na bancada às lavagens da louça. Em cada atividade a vida guarda um ensinamento especial e cada uma dessas atividades reserva a sua beleza própria.

Sentado no chão, em minha banca, me observo. Sentado sigo me observando. Soldando sigo me observando. Limando sigo, martelando sigo. Sigo...

A vida é jornada ininterrupta até o grande momento da ruptura. A vida é mistério, é o desconhecido que se manifesta através do universo individual. E a cada momento o universo ali se repousa. Alegria, tristeza, contentamento, medo, angústia, segurança. E de momento a momento, sigo contemplando o dançar das formações que surgem e o constante agarrar-se às mesmas, recriando esse meu eu em constante movimento. Movimento de movimentos, movimento de movimentos, movimento de movimentos... Nunca param.

Quando vi aquele cacho de bananeira desabrochando, percebi mais uma vez que a mudança se faz constante. A cada momento que há movimento, a cada momento que há algum acontecimento brotando, e sempre o há, a ausência da estaticidade vai estar lá também.

Vida é fluxo ininterrupto, vida é mudança constante. Vida… Uma breve homenagem a ela e ao tempo, rei e mestre de todas as coisas.

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IDEALIZAÇÃO: CHRISSIE BARBAN & JOSETTE BARBAN | DIREÇÃO DE ARTE: POHL | REDAÇÃO: LEANDRO BUARQUE