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Joyeros ARGENTINOS


 

A bienal ajuda a criar caminhos e descobrir interesses comuns, fomenta o desejo de encontro e o trabalho colaborativo. O processo criativo do artista costuma ser muito solitário. Compartilhar o objetivo de participar de uma bienal como concorrente implica pensar e trabalhar o tema proposto junto com colegas de todo o continente que estão pensando e trabalhando no mesmo. Tudo isso resultará, então, em uma exposição e um catálogo que reunirá aquele trabalho feito ao mesmo tempo e com o mesmo objetivo.

 

Além disso, em cada uma das instâncias de encontro que a bienal propõe em suas atividades associadas, ela gera laços de uma beleza muito particular, reconhecimentos e desejos que sempre fluem na obra, nos processos criativos e nos resultados de cada artista, no objetivos a definir e caminhos a seguir. Assim, por meio de encontros entre artistas, entre grupos e entre organizações, a Bienal construiu pontes e fortes laços entre os países vizinhos: Chile, Brasil, Colômbia, Venezuela, México e Argentina. Por enquanto, esperamos que outras comunidades e grupos sejam adicionados.

 

Se Joyeros Argentinos e a Bienal têm lugar na joalheria latino-americana, acreditamos que é porque foram concebidos com paixão, criados com empenho, entendidos como uma construção coletiva liderada por uma gestão que não é onipotente nem tem medo de errar. Pelo contrário, desde o início, a ideia da necessidade de ajudar a gerar era clara, de gerar o reconhecimento da identidade em nosso trabalho, e uma integração que consideramos desejável e necessária.


 

Joyeros Argentinos - como plataforma de encontro, visibilidade e organização da joalheria de arte - e a Bienal Latino-Americana de Joalheria Contemporânea - como eixo de diálogo e encontro sul-americano - são uma resposta à necessidade de unir um percurso identitário de criação, reconhecimento e validação de nossa arte.

 

Várias vezes nos sentamos para escrever sobre o que fazemos. Embora não estejamos acostumados a nos deter às motivações pessoais, elas certamente transcendem por meio das palavras que escolhemos para contar o que é Joyeros Argentinos, o que é a Bienal.

 

Hoje, quisemos aproveitar esse convite e deixar de nos evitar como pessoas, mulheres, fazedoras, ao relatar um trabalho que não seria realizado se não implicasse profundo amor e empenho. Nós, Paula Isola e Laura Giusti, nos conhecemos na oficina de Graciela Lescano e foi aí que começamos a imaginar nossas primeiras aventuras. Graciela, além de uma professora generosa, é uma excelente anfitriã, por isso, ideias e desafios surgiram entre jantares e garrafas de vinho.

 

Em todos esses anos reunimos muitas anedotas, às vezes choramos, mas em geral rimos, histórias de viagens sem fim, de malas cheias de joias e sem roupa, de aviões perdidos, de conhecer gente maravilhosa, de lidar com o imprevisto.

 

Como moramos longe uns dos outros, costumamos nos encontrar nos pequenos cafés de Buenos Aires. Em algum momento, começamos a registrar aqueles encontros intermináveis, já colecionamos inúmeras fotos.

 

No campo da joalheria latino-americana contemporânea, muitos sabem como é o trabalho de gestão: tudo é feito de pulmão. Organizamos a Bienal, tomamos as decisões, limpamos os vidros das vitrines, desenhamos o catálogo, organizamos a divulgação, respondemos aos e-mails, entrevistamos as autoridades, fazemos as contas, administramos os espaços, organizamos as informações, buscamos financiamento, compramos os copos para a inauguração, trazemos toalhas de mesa de nossas casas… Nossas respectivas famílias nos odeiam e nos amam, dependendo de quanto tempo resta para a inauguração.

 


 

O que Joyeros Argentinos e a Bienal Latino-Americana de Joias Contemporâneas têm que os torna especiais? O que dissemos acima pode ajudar a responder a essa pergunta, mas sabemos que trabalho e boa vontade não são suficientes. Pensar alto, reconstruir a história, talvez nos aproxime de algumas respostas.

 

Há mais de 12 anos, a ideia inicial era reunir as informações dos joalheiros argentinos em uma página da internet. Queríamos que também fosse um espaço de discussão, reflexão e informação em Espanhol. Para realizá-lo, foi necessário imergir muito mais do que dias, semanas e meses para investigar, organizar, projetar. Tivemos que definir e redefinir o que queríamos coletar e mostrar, pensar repetidamente o que eram joias contemporâneas, definições e decisões que foram se reorganizando com o tempo, há mais de uma década.

 

As coisas, então, estavam se encadeando rapidamente: crescendo no espaço virtual, ocupando espaços físicos, dentro e fora do país. Gerenciar diferentes instâncias, com diferentes interlocutores, crescer presença, explorar novas formas de visibilidade, pensar sobre o que nossa joalheria contemporânea precisa, quais lugares devem ser conquistados, quais caminhos percorrer, como aproximá-la do público que não a conhece, como integrá-la e posicioná-la no mundo da arte na América Latina.

Nessa busca surgiram projetos de todos os tipos, concursos nacionais, exposições, conferências, passeios, feiras, participações de mercado, tínhamos até uma loja online. Houve tentativa e erro, houve trabalho infinito, às vezes com belos resultados, às vezes não. 

 

O projeto da Bienal tornou-se o resultado quase natural de um longo processo. Foi o próximo passo e nós o demos. Embora soubéssemos que era um grande passo e tivéssemos imprevistos, dúvidas e problemas a resolver, que pareciam nos ultrapassar completamente, estaríamos mentindo se disséssemos que pulamos no vazio. Em todos esses anos aprendemos a antecipar o pior e a administrar. Subimos e chegamos à outra margem exaustos e felizes, vendo como centenas de artistas latino-americanos nadaram conosco, encontrando o espaço que esperavam na Bienal.

IMAGEM LIS HADDAD


 

A terceira edição da Bienal Latino-Americana de Joalheria Contemporânea, cujo tema será "Quadra aberta", acontecerá entre 15 de agosto e 30 de outubro de 2021, em Buenos Aires. Visão e mística, paixão e compromisso foram e continuam a ser os motores de tudo isso. O que levamos adiante é sustentado porque há um grupo de pessoas tão comprometidas quanto nós, que se sentem parte, trazem novas ideias e propostas e entendem o valor da construção coletiva.

 

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IDEALIZAÇÃO: CHRISSIE BARBAN & JOSETTE BARBAN | DIREÇÃO DE ARTE: POHL | REDAÇÃO: LEANDRO BUARQUE