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Memória transformada

por Diego saraiva

Moedas, talheres, selos, banconotas, mecanismos de relógios, matéria orgânica, lentes, vidros, gemas e metais. A idéia de mesclar objetos vem desde o período da faculdade, onde cursei Produção Joalheira no Istituto Europeo di Design (IED) de Roma e São Paulo. No trabalho de conclusão de curso, trabalhei com o resgate da memória de objetos e de como eles podem ser transformados. Na época, trabalhei com as matérias e histórias que sempre estiveram ao meu redor. Era uma coleção de notas e moedas e dois relógios de corda do meu avô, lentes e vidros provenientes de um laboratório de análises desativado onde minha mãe trabalhou, relatos familiares e, principalmente, os de um pai cardíaco, um dos melhores contadores de história que conheci.

Culturas de mundo e de pessoas pelo mundo também fazem parte do meu universo.   Sempre fui uma pessoa curiosa e interessada por coisas, nas minhas viagens sempre que possível trazia algo. Com o passar do tempo, passei a selecionar  esse acervo e o arquivo foi crescendo, me interessava cada vez mais pela parte arqueológica desses itens. Peças foram repensadas em forma de assemblages,  tirando do objeto aquela função inicial para qual  foram criados. Converter um objeto em outro só é possível se desnudá-lo de suas particularidades.


 

Um objeto, uma joia recebem a marca humana. Duradouras, elas resistem à história de nossos corpos e ridicularizam a nossa mortalidade, vão muito além de nossa breve existência. Adornar corpos, contar histórias e ser um repositório de memórias que podem e devem ser passadas adiante.

Sempre tive claro esse conceito, porém, bloqueava todo o processo de formalizar o trabalho com fotos, descrição de conceito, manuscritos, etc. Esse quadro mudou no ano de 2019. Dias antes do Brazil Jewelry Week, minha mãe fez a sua passagem, coincidindo com um novo marco na minha vida pessoal e, consequentemente, na profissional. Hoje, conto com cinco séries com cerca de 200 peças: Híbridos, Casa da Moeda, Animalis Engine, Vita Pulsateo e Suscitação. A necessidade de contextualizar o trabalho explica o motivo da não comercialização delas. 

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IDEALIZAÇÃO: CHRISSIE BARBAN & JOSETTE BARBAN | DIREÇÃO DE ARTE: POHL | REDAÇÃO: LEANDRO BUARQUE