PERFORMANCE
Brazil Jewelry Week N2

por LÍGIA MORENO

Gestar é como engolir um furacão. É ter um vulcão na garganta e um mangue nas pernas. Antes de tudo isso, é pura abstração. Em algumas impera a vontade de romantizar, conversar com o grão, projetar cores e adivinhar o horóscopo. Respeito, mas não alcanço.


É preciso coragem para gestar e para escolher não gestar. No geral, é preciso coragem para ser uma mulher que escolhe.
Tentar pontuar cada fato jornalístico que vivenciamos com a presença deste vírus é tarefa árdua para o coração. Lembro-me de abrir os jornais como quem pisa em um campo minado e, em dado momento, fechar pela falta de fôlego, aos prantos. Ao mesmo tempo, compartilhávamos entre amigas os dilemas... Um pai que abandonou a família com um bebê de 20 dias, outra que perdeu o bico do seio por complicações da mastite, as que se divorciaram, as consultoras de amamentação completamente dopadas por suas ideologias precárias, as que recebem visitas invasivas.