DECOLONIALIDADE E A QUEDA DO FETICHE

por LIS HADDAD

O fazer do ourives em praticamente nada se diferencia em todo mundo. Forjar a joia exige as mesmas competências técnicas. Mas é possível dizer que tanto o estado de poesia quanto a própria ação do artista nascem e são alimentados pela relação com o ambiente. O que age sobre sua sensibilidade e a dinâmica do trajeto criativo serão ditados por esse fluxo.

O que acontece então, quando artistas vindos de nações que sofreram processos colonizadores dialogam entre si a partir da arte joalheria? O que se revela no processo subjetivo de quem se propõe a ser um interceptador em movência destes fluxos? 

Após 4 anos pesquisando e trabalhando o fazer joias no Brasil e na India, confesso que reconhecer meu olhar domesticado pela estética e lógica produtiva imposta por um sistema colonialista, tem sido tão desconfortável quanto libertador. Precisaria de uma vida inteira para discorrer sobre as reflexões vindas dessa experiência. Por enquanto deixo a provocação: como fazer da joalheria uma ferramenta de decolonização da estética e do saber?

Lançar luz às múltiplas formas de expressividade e ampliar o diálogo entre culturas periféricas, principalmente as que se encontram no hemisfério sul, é honrar a pluralidade do que somos para além da condição de fetiche. É preciso abrir brechas para uma nova compreensão de mundo.

Como fazer da joalheria uma ferramenta de decolonização da estética e do saber?