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Os Adornos e os Costumes na era digital

Por Bianca Zaramella

 O encontro Os Adornos e os Costumes, realizado na
última edição do Brazil Jewerly Week, reuniu Bianca Zaramella, Eliana Gola e Gina Reis para discutir novos valores e a realidade da joalheria no ambiente digital.
“Independentemente da cultura e dos costumes, as necessidades básicas humanas estão associadas à sobrevivência e à manutenção da vida. São elas o abrigo, o alimento, a comunicação e o pertencimento. Mas a história, a proto-história e a pré-história mostram sinais de que o ser humano necessita também agradar e embelezar o local onde vive, a roupa que veste, sua
comida, a forma que fala”.

Eliana Gola apontou em suas colocações diversas abordagens interessantes sobre o assunto em nosso encontro, realizado pelo Zoom.
A autora pontua que a joalheria é uma área peculiar do saber, que não pertence integralmente a outras áreas, mesmo usando muitos de seus conhecimentos e, por isso, talvez se torne tão especial e gere interesse em seus mais diversos formatos, entre eles o digital.

- A joia tem arte
- Uma pitada de moda, pelo status do adorno
- Faz parte do mundo industrial, também é produto.

Para o futuro. Eliana vê uma busca pela liberdade de
escolha das joias.
“Começa a valorização do artesanal, do exclusivo e
único, marcando o estilo pessoal”.
Eliana pontua ainda de maneira atenta a exigência de produto ético e a valorização da joia sustentável.

Para a autora, tudo parte da necessidade do ser humano de atrair e agradar. “A atração atiça o desejo das coisas e é comum entre os homens”, completa.

Já Gina Reis, Doutoranda no Programa Multidisciplinar
de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (UFBA), analisou em suas colocações o destaque e o lugar do cotidiano para a consumação das experiências estéticas com as joias.
“O desejo pelo objeto joia é deslocado sobremaneira para a CONJUNTURA que a envolve – afeto, sedução, proteção, amor, memória, poder, status. Esse cenário vai ser, decerto, uma das prerrogativas para atestar a “legitimidade” do objeto”, acrescenta.

Para a pesquisadora, o cenário futuro exigirá mais autenticidade e valores mais emocionais nessa relação sujeito e joia.
Ela pontua alguns de seus presságios para uma joalheria pós-pandemia: Consumidor: sentimento de indulgência pessoal e
duradoura (cenário instável/bem durável); e necessidade de expressão através de bens duráveis (estilo). Marcas: relação empática – confiança, credibilidade, sem oportunismo.
Consumidor + Marcas: responsabilidade socioambiental.
Gina Reis finaliza contextualizando que a joia - assim como os demais sistemas de adornamento à composição da aparência - compõe a esfera enigmática que é acultura, os modos de vida compartilhados em sociedade.

Na minha visão como comunicadora desse universo tão rico de signos e valores, a Joalheria Contemporânea permite ousadias e alia antigas técnicas a novos materiais sem tirar a função original de uma joia, que é o adorno, dando um caráter mais pessoal e original ao
trabalho. E por que não apresentar todos esses valores no
universo digital? Fica aqui a nossa reflexão.